terça-feira, 12 de maio de 2009

1° Ato - A Lua e a Terra

Anteontem foi uma noite, como qualquer uma dessas noites, porém diferente das outras convencionais, em que eu olhei para a Lua cheia. Ela estava linda como sempre, lembrando pérolas em meio a areia, e apreensiva como uma noiva jovem esperando seu homem a alcançar no altar. Porém, desta vez ela não estava alegre, ela estava triste. Eu pensei em me comunicar mas me faltou coragem para lhe perguntar “Lua, por que estás mal?”, mas mesmo assim como de costume não teria uma resposta dela. Neste instante me lembrei das últimas três vezes que a contemplei.

A primeira era fins de inverno, início de primavera. Eu estava com um pouco de frio e ela estava brilhando alegre, faceira, como um irmão caçula danado querendo chamar atenção do primogênito, linda, misteriosa, com várias nuvens tentando ofuscar seu brilho, mas sua felicidade era tamanha que nada conseguia impedir seu clarão como imperadora, que fazia a Terra tremer, eu olhava então esperançoso, apaixonado por ela e sua dança imóvel enquanto me fugiam sorrisos de satisfação e ansiosidade pelos momentos que viriam chegar em breve. Tão breve, como se meus desejos e fome por felicidade explodissem bastando um suspiro, e assim a Lua logo depois esqueceu a presença do Sol, se pôs a frente dele e ficou de frente para a Terra provocando um eclipse geral, onde cada momento era marcante e seria lembrado para sempre. E como uma estrela cadente, o eclipse se foi e só voltaria a acontecer tempos depois. Voltaria, mas não voltará, porque a vida é uma variável. E que variável hein? Vale lembrar que toda variável se baseia em uma constante, mas... porém... contudo... embora... entretanto... o que era constante, se formou uma incógnita. Decidi deixar a Lua em paz aquele dia, ela estava feliz e nada tiraria essa felicidade dela.

Outro dia, eu estava mergulhado em carência, amparo e desespero, sentia medo do amanhã e mais medo ainda do HOJE, então fui recorrer ajuda à Lua, a minha linda Lua, mas, ué? Cadê ela? A Lua estava tão cheia do Sol que virou nova. Desaparecida em meio à escuridão, procurando o máximo se camuflar entre nuvens e luzes estelares, ficava quieta. Já que minha linda Lua não podia me ajudar, procurei diversão nos anéis de Saturno, calor em Vênus e Mercúrio, abri caminhos para Plutão, mas puxa, ele foi ignorado e não era mais reconhecido pelo sistema atual.

Então um tempo se passou e eu sentei, aflito e solitário, fiquei a esperar a volta da minha amada lua, e ela apareceu em estado minguante, parecendo olhar para o lado esquerdo do mundo procurando seu coração para tomar alguma decisão, enquanto a Terra ficava imóvel, sedentário, apenas acompanhando a onda da órbita ao redor do sistema, do Sol, e chamando a Lua para iluminar seu lado sombrio.

E então, a Lua reaparece no céu brilhando forte no estado Crescente. Como se estivesse olhando para o futuro, brilhando sem medo, mas também sem responder minhas perguntas como “Lua, você algum dia virá a Terra?”, mas o que importava é que ela sorria novamente, um sorriso incentivador, que eu pensei comigo mesmo “Lua, você me deu forças para tentar de novo”. E ela continuava sem me responder nada.

Corria para frente, mas patinava no lugar como um movimento de translação,  e comecei a andar para trás, olhando para frente mas recuando, recuando até antes dos obstáculos os quais eu não conseguiria mais superar. E eu recuava sem saber o motivo até me dar conta que eu estava errado, o tempo todo, a Lua não sorriu sinceramente, olhando para ela de novo eu via um sorriso perturbado, inspirado em Da Vinci, um sorriso sem sorriso, afogado por estrelas que queriam brilhar mais que ela, e então ela cansou... fechou o sorriso... e uma nuvem de chuva a escondeu mais uma vez.

Nos tempos atuais, a Terra fica vendo a Lua dançando e vivendo sua luz, enquanto começa a invejar o quão próximos o Céu é do Mar. Ela fica procurando a Lua todas as noites, enquanto eu fico me mordendo a consicência perguntando “Lua, você é importante para mim, para a Terra, para todo o sistema. Como eu posso te alcançar e te trazer mais perto da gente?” e ela nada respondia, apenas ficava parada no céu, me olhando. E hoje ela está cheia novamente, mas seu brilho que fazia com que os outros corpos celestes a invejassem e tentassem imitar seu brilho aos olhos da Terra, está desmotivado, ou triste, ou escondida, como se tivesse sido roubado por uma sereia e seu encanto mortal. Porém, novos eclipses irão acontecer, mas estas serão ainda mais escuras, enquanto a Terra procura, distante da Lua e do Sol, uma maneira de renascer. E isso irá acontecer de fato, sem variantes, incógnitas, porquês e talvez, pois ela continua a girar. E esse novo encontro da Terra com um outro Satélite será reconhecida por todos, sejam astros, estrelas, cinturões. Seria então um novo Gênesis? Ou o Apocalipse? Essa é uma pergunta que só a Lua responderá.

 

 

                                                                                                              Tiago Brugnera

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